Eduardo Bolsonaro sugere troca do Pix por sistema americano Zelle, e vira alvo de críticas nas redes: ‘Vassalagem’
Uma declaração do deputado federal Eduardo Bolsonaro sobre o sistema de pagamentos Pix repercutiu nas redes sociais e colocou o nome do parlamentar entre os assuntos mais comentados da plataforma X nesta quinta-feira.
Em vídeo compartilhado nas redes, o deputado afirmou que os Estados Unidos possuem mecanismos de transferência financeira semelhantes ao Pix, citando o sistema Zelle, e sugeriu que o tema poderia integrar futuras negociações entre os dois países.
A fala ocorreu em meio à repercussão de um relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos que recomendou a aplicação de novas tarifas sobre produtos brasileiros exportados para o mercado norte-americano. Entre os pontos abordados no documento está o Pix, sistema de pagamentos instantâneos administrado pelo Banco Central do Brasil.
Segundo o relatório, o Banco Central atuaria simultaneamente como regulador e operador da plataforma, o que, na avaliação do órgão americano, poderia gerar distorções competitivas no mercado de pagamentos. O documento também menciona limitações impostas a taxas cobradas por empresas concorrentes.
No vídeo, Eduardo Bolsonaro afirmou que sistemas semelhantes ao Pix já operam nos Estados Unidos e defendeu que esse aspecto poderia ser discutido em uma eventual mesa de negociação entre os dois países.
A declaração gerou reações de críticos e apoiadores nas redes sociais. Diversos usuários passaram a comentar o tema e associaram a fala às discussões envolvendo a política comercial entre Brasil e Estados Unidos.
O debate ganhou dimensão política após integrantes do governo federal relacionarem a discussão sobre as tarifas ao encontro realizado recentemente entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os parlamentares Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou publicamente integrantes da família Bolsonaro e afirmou que medidas comerciais dessa natureza prejudicariam setores produtivos brasileiros. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também comentou o episódio nas redes sociais.
Em meio à controvérsia, a Federação Brasileira de Bancos divulgou nota em defesa do Pix. A entidade destacou que o sistema não é um produto comercial, mas uma infraestrutura pública de pagamentos destinada a ampliar a concorrência e facilitar transações financeiras.
A Febraban ressaltou ainda que o modelo permite a participação de bancos, fintechs e instituições financeiras nacionais e estrangeiras, caracterizando-se como um ambiente aberto e não discriminatório.
O Zelle, citado por Eduardo Bolsonaro, é uma plataforma operada por uma rede de instituições financeiras dos Estados Unidos. Diferentemente do Pix, que é gerido pelo Banco Central, o sistema americano funciona por meio de acordos entre bancos privados e possui características operacionais distintas.
O Globo

