Gleisi diz que fim da escala 6×1 é prioridade do governo federal em 2026
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou nesta quarta-feira (28) que o fim da escala de trabalho de seis dias por um de folga (6×1) é uma das prioridades do governo federal para este ano. Segundo ela, o Executivo avalia o envio de um projeto de lei para unificar as propostas que já tramitam no Congresso Nacional, com expectativa de aprovação ainda no primeiro semestre.
Em conversa com a imprensa, Gleisi destacou que a mudança na jornada de trabalho está alinhada às ações recentes do governo voltadas à valorização da renda e à melhoria das condições de vida da população. “Depois do presidente ter feito a correção do salário mínimo com aumento real, ampliado o emprego e garantido a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, está na hora de cuidar da qualidade de vida do povo brasileiro”, afirmou.
A ministra ressaltou que a escala 6×1 impõe impactos sociais significativos, especialmente sobre as mulheres. “Não é possível que as pessoas tenham apenas um dia por semana para descansar e cuidar de seus afazeres pessoais e domésticos. Isso atinge principalmente as mulheres. O presidente Lula está determinado”, disse.
Segundo Gleisi, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, demonstrou receptividade para colocar o tema em debate. Para a ministra, o projeto conta com apoio popular e pode repetir o consenso observado na aprovação da isenção do imposto de renda para salários de até R$ 5 mil. Ela lembrou ainda que alguns setores produtivos, como a indústria, já operam com escalas diferenciadas.
Com a retomada dos trabalhos legislativos marcada para 2 de fevereiro, Gleisi listou outras prioridades do governo para o ano, como a aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, a regulamentação do trabalho por aplicativos, a PEC da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção. Também estão na agenda medidas provisórias, como a criação do programa Gás do Povo e o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata).
A ministra também afirmou que o governo trabalha para manter o veto do presidente Lula ao Projeto de Lei da Dosimetria, que reduz penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Segundo ela, a responsabilização ocorreu dentro do devido processo legal e tem caráter pedagógico para a democracia.
Durante a entrevista, Gleisi anunciou ainda que os Três Poderes devem assinar, no próximo dia 4 de fevereiro, um pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio, tema que integra a agenda prioritária do governo.
Ao tratar da relação com o Congresso, a ministra afirmou que o debate sobre emendas parlamentares está pacificado. O Orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas, sendo R$ 37,8 bilhões impositivas. O governo pretende antecipar o pagamento de ao menos 65% dessas emendas até julho.
Gleisi também comentou as investigações envolvendo fraudes financeiras no Banco Master. Segundo ela, há uma tentativa da oposição de associar integrantes do governo ao banqueiro Daniel Vorcaro. A ministra negou irregularidades e afirmou que a apuração segue critérios técnicos e rigorosos, conduzida pelo Banco Central e pela Polícia Federal.


