Força-tarefa resgata 11 trabalhadores em condição análoga à escravidão na Serra Gaúcha

Força-tarefa resgata 11 trabalhadores em condição análoga à escravidão na Serra Gaúcha
Força-tarefa resgata 11 trabalhadores em condição análoga à escravidão em São Francisco de Paula — Foto: Divulgação/MPT
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Uma força-tarefa resgatou 11 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em uma propriedade rural localizada no distrito de Lajeado Grande, em São Francisco de Paula, na Serra do Rio Grande do Sul. A operação ocorreu na quinta-feira (19) e foi divulgada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) nesta terça-feira (24).

Segundo o MPT, nenhum dos trabalhadores tinha registro em carteira e havia salários atrasados há mais de 30 dias. A fiscalização também identificou uma alteração considerada irregular na forma de pagamento, que teria resultado em remunerações inferiores ao piso regional.

O grupo era formado por pessoas entre 17 e 53 anos, incluindo um adolescente e duas mulheres indígenas. Os trabalhadores atuavam na colheita de alho e na produção de tomates desde outubro de 2025.

De acordo com a fiscalização, eles teriam sido contratados sob a promessa de registro formal, pagamento de R$ 125 por dia, alimentação e moradia. As condições oferecidas, no entanto, não teriam sido cumpridas.

Fiscalização encontrou alojamento precário

Durante a operação, foram identificadas irregularidades relacionadas à saúde e à segurança dos trabalhadores. Entre os problemas estavam a ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e de treinamento adequado para o manuseio de agrotóxicos.

As condições do alojamento também foram consideradas inadequadas. A estrutura apresentava partes danificadas, sanitários em más condições de uso e não havia armários nem roupas de cama suficientes.

Diante das condições encontradas, o alojamento foi interditado.

Os 11 trabalhadores foram retirados do local e receberam apoio para retornar às cidades de origem, no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

Investigação continua

O MPT instaurou um Inquérito Civil para apurar as circunstâncias do caso. A investigação deverá acompanhar o pagamento das verbas rescisórias e o recolhimento do FGTS, além do acesso dos trabalhadores ao seguro-desemprego.

A apuração também deverá avaliar as demais irregularidades identificadas durante a fiscalização.

Como denunciar trabalho análogo à escravidão

Casos suspeitos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados por meio do Sistema Ipê, canal oficial disponível pela internet.

A denúncia pode ser feita de forma anônima. O denunciante deve fornecer o maior número possível de informações sobre a situação, permitindo que os órgãos de fiscalização avaliem o caso e, quando necessário, realizem uma inspeção no local.

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