Casas Bahia pede recuperação judicial após prejuízo de R$ 10 bilhões e fechamento de 298 lojas
A Casas Bahia anunciou, no último domingo (16), que protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A medida ocorre em meio à deterioração das condições econômico-financeiras da companhia e a um cenário marcado por juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo.
O pedido também abrange subsidiárias do grupo, incluindo empresas ligadas às áreas de logística, comércio eletrônico, tecnologia, serviços e fabricação de móveis.
Segundo a companhia, o objetivo é promover uma reestruturação financeira, com reperfilamento e alongamento de dívidas financeiras e operacionais. Apesar do processo, a empresa informou que pretende manter suas operações em todos os canais em que está presente.
A estratégia prevê ainda o redimensionamento da companhia, com prioridade para canais e categorias considerados mais rentáveis, além da redução do capital empregado e dos custos de financiamento.
Prejuízo de R$ 10 bilhões
A decisão ocorre após a Casas Bahia registrar um prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões no trimestre, valor cerca de 18 vezes superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
Desse montante, aproximadamente R$ 9,1 bilhões estão relacionados a ajustes contábeis extraordinários e despesas vinculadas ao plano de reestruturação da empresa.
A companhia também havia adiado por duas vezes a divulgação dos resultados recentes.
Apesar do resultado negativo, a receita líquida chegou a aproximadamente R$ 7 bilhões, crescimento de 1,6%. O comércio eletrônico foi um dos destaques, com alta de 15,3% nas vendas, que alcançaram R$ 2,8 bilhões.
O lucro bruto também apresentou crescimento de 10,9%, chegando a R$ 2,2 bilhões. Entre os fatores que pressionaram as despesas, a empresa citou a inflação e os custos relacionados às comissões de parcerias estratégicas nos canais digitais.
Fechamento de lojas
A crise financeira já havia provocado mudanças na estrutura da varejista. Como parte do chamado “plano de transformação fase 2”, a Casas Bahia anunciou o fechamento de 298 lojas em todo o país, além de ajustes no quadro de funcionários.
A companhia afirma que a nova etapa da reestruturação busca concentrar os negócios em operações com maior rentabilidade e margens de contribuição.
O plano também prevê a reorganização da estrutura de capital, considerada pela empresa necessária para enfrentar as dificuldades financeiras acumuladas.
Histórico de reestruturação
A Casas Bahia já havia recorrido a um mecanismo de recuperação financeira em 2024. Naquele ano, a companhia anunciou um pedido de recuperação extrajudicial para reorganizar dívidas financeiras estimadas em R$ 4,1 bilhões.
Segundo o histórico apresentado pela empresa, todos os credores aderiram ao plano. Na época, o então movimento foi relacionado ao processo de transformação anunciado pela companhia em 2023 e às condições macroeconômicas.
Agora, dois anos depois, a varejista volta a recorrer à Justiça, desta vez por meio de um pedido de recuperação judicial, buscando reorganizar sua estrutura financeira e preservar a continuidade das operações.


