Brasil ‘não cabe no quintal de ninguém’; diz Lula em discurso na ONU

Brasil ‘não cabe no quintal de ninguém’; diz Lula em discurso na ONU
📸 Foto: TIMOTHY A. CLARY/AFP
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta terça-feira (22) a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos durante o discurso de abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

Em sua fala, Lula afirmou que a comunidade internacional precisa escolher entre diferentes caminhos para enfrentar os desafios atuais, citando como exemplos o multilateralismo e o unilateralismo, além da democracia e do extremismo.

“Somos chamados a optar entre multilateralismo ou unilateralismo, democracia ou extremismo, soberania ou subordinação”, afirmou.

O presidente também fez referências à posição do Brasil nas relações internacionais. Segundo Lula, a proximidade geográfica com os Estados Unidos, descritos por ele como a maior potência militar do mundo, é uma realidade, mas isso não deve significar subordinação brasileira.

“A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável”, declarou. Em seguida, afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e defendeu relações com parceiros que tenham uma agenda voltada ao desenvolvimento.

Lula também afirmou que diferenças ideológicas não devem impedir a integração entre países vizinhos e declarou que a democracia voltou a estar sob pressão. Na avaliação apresentada pelo presidente, há atualmente casos de interferência externa em processos eleitorais.

“A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”, afirmou.

Relações com os Estados Unidos

O discurso ocorre em meio a um período de tensão nas relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. O cenário envolve questões comerciais e também o processo eleitoral brasileiro.

Durante sua fala, Lula criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e citou o funcionamento da Organização Mundial do Comércio (OMC).

“A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos”, declarou.

Segundo o presidente, a utilização de tarifas como instrumento de pressão pode produzir consequências negativas para a economia internacional. Lula afirmou ainda que, apesar das medidas tarifárias, o Brasil deverá registrar novo recorde de exportações neste ano.

Outros temas abordados

O presidente também dedicou parte do discurso a questões relacionadas à segurança internacional, tecnologia e economia.

Sobre o combate ao crime organizado, Lula defendeu maior cooperação entre os países para combater o fluxo internacional de armas e recursos financeiros utilizados por organizações criminosas.

Na área de inteligência artificial e redes digitais, criticou o que chamou de “tecno-oligarcas” e defendeu a regulamentação das plataformas digitais.

Lula também mencionou o PIX, afirmando que o Brasil não pretende ceder a pressões de empresas multinacionais relacionadas ao sistema de pagamentos.

Na política internacional, defendeu o multilateralismo, reformas no Conselho de Segurança da ONU e a utilização da diplomacia para a resolução de conflitos.

Meio ambiente e recursos naturais

A agenda ambiental também esteve entre os temas do discurso. Lula afirmou que o Brasil pode conciliar desenvolvimento econômico, redução das emissões de gases de efeito estufa e preservação ambiental.

O presidente destacou a redução do desmatamento na Amazônia e afirmou que a floresta “vale mais em pé do que destruída”. Também citou a matriz energética brasileira como uma das referências internacionais em energia limpa.

Ao mesmo tempo, Lula defendeu a exploração de recursos naturais, incluindo aqueles localizados na Margem Equatorial, além das chamadas terras raras utilizadas em tecnologias relacionadas à transição energética.

Segundo o presidente, a exploração desses recursos deverá estar associada à geração de valor no país, transferência de tecnologia e atendimento a setores considerados estratégicos.

Brasil abre tradicionalmente o debate geral

A Assembleia Geral da ONU é o principal órgão deliberativo das Nações Unidas e reúne representantes dos 193 Estados-membros.

Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na abertura do debate geral, prática mantida desde 1955. Neste ano, Lula foi seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

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