Jejum, café e atividade física: Especialista explica o que interfere nos exames laboratoriais

Jejum, café e atividade física: Especialista explica o que interfere nos exames laboratoriais
Exames laboratoriais vão além do diagnóstico e ajudam a prevenir doenças, explicam especialistas - Foto: Léo Xavier

Os exames laboratoriais desempenham um papel fundamental não apenas no diagnóstico de doenças, mas também na prevenção e no acompanhamento da saúde ao longo da vida. O tema foi abordado no episódio de estreia do podcast Isa Mais Explica, que tem como proposta traduzir informações científicas em linguagem acessível ao público.

No episódio, a apresentadora Luiza Cruz recebeu o farmacêutico e bioquímico Sandoval Andrade, profissional que atua diretamente na interpretação e orientação de exames laboratoriais. Segundo ele, os exames permitem identificar alterações no organismo antes mesmo do surgimento de sintomas clínicos, auxiliando na detecção precoce de doenças e no monitoramento de tratamentos.

Durante a conversa, Sandoval destacou que fatores como sobrepeso e obesidade podem influenciar diretamente os resultados laboratoriais. Nesses casos, exames hormonais, metabólicos, inflamatórios e nutricionais costumam ser indicados para compreender as causas do ganho de peso e orientar condutas mais adequadas. “Hoje, a obesidade é reconhecida como uma doença e precisa ser tratada de forma individualizada, com base no perfil clínico do paciente”, explicou.

O episódio também esclareceu dúvidas comuns sobre a necessidade de jejum antes da realização de exames. De acordo com o especialista, a maioria dos testes laboratoriais atuais não exige jejum prolongado, devido à modernização dos métodos de análise. Exames como glicemia e colesterol, no entanto, ainda requerem preparo específico, que deve seguir orientação profissional para evitar resultados imprecisos.

Outros fatores abordados incluem o impacto do consumo de álcool, da prática de atividade física e do uso de medicamentos nos exames. O bioquímico ressaltou que suspender remédios por conta própria pode comprometer a interpretação dos resultados e que todas as informações sobre a rotina do paciente devem ser comunicadas no momento da coleta.

Um dos principais alertas do episódio foi sobre a interpretação isolada dos laudos laboratoriais. Andrade explicou que os valores de referência apresentados nos exames são dados estatísticos e não devem ser analisados fora do contexto clínico. Idade, sexo, hábitos alimentares, localização geográfica e histórico de saúde influenciam diretamente os resultados.

“O exame de laboratório é um exame complementar. Ele não substitui a avaliação clínica e não deve ser interpretado sozinho”, afirmou o especialista. Segundo ele, tanto resultados dentro quanto fora do intervalo de referência podem não refletir, necessariamente, a presença ou ausência de doença.

O episódio encerra reforçando a importância do acompanhamento por profissionais de saúde capacitados e da busca por informação confiável, baseada em ciência, para decisões mais seguras sobre a saúde.

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