Trump reduz tarifas sobre café, carne e frutas, produtos exportados pelo Brasil

Trump reduz tarifas sobre café, carne e frutas, produtos exportados pelo Brasil
Foto: David Dibert/Pexels

Os Estados Unidos reduziram, na noite desta sexta-feira (14), as tarifas de importação de cerca de 200 produtos alimentícios, entre eles café, carne, açaí e manga. Para o Brasil, a diminuição corresponde apenas às chamadas taxas de reciprocidade — impostas pelo presidente Donald Trump em abril — que caíram de 50% para 40%.

Exportadores brasileiros chegaram a especular se a medida incluía a tarifa adicional de 40% anunciada em julho, mas o Ministério da Agricultura confirmou que a redução abrange exclusivamente a taxa de reciprocidade, originalmente criada para diversos países. O adicional determinado meses depois continua em vigor, mantendo a carga tarifária elevada para os produtores nacionais.

A decisão ocorre em meio às negociações entre Brasil e Estados Unidos para flexibilizar o chamado “tarifaço”. A agenda ganhou força após encontro entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro, na Malásia. Na última quinta-feira (13), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o chanceler Mauro Vieira discutiram um possível “mapa do caminho” para a retomada das tratativas.

Apesar da redução parcial, Trump afirmou, horas após o anúncio, que não considera novos cortes no curto prazo. “Acabamos de fazer um pequeno recuo”, declarou a jornalistas. “Os preços do café estavam um pouco altos; agora, em muito pouco tempo, estarão mais baixos.” O Brasil é o principal fornecedor de café aos Estados Unidos e um dos maiores de carne, ambos pressionados pela inflação interna americana.

A Casa Branca afirmou que o recuo foi definido com base em relatórios de autoridades que monitoram as condições da ordem executiva do tarifaço. Ao justificar a medida, Trump citou demanda interna, capacidade de produção doméstica e andamento de negociações com parceiros comerciais. A redução vale para produtos importados e retirados de armazéns desde quinta-feira (13).

A lista de itens contemplados foi atualizada e inclui agora carne e café, além de produtos que já haviam recebido algum alívio tarifário em julho, como o suco de laranja — item importante na pauta de exportações brasileiras para o mercado americano.

No Brasil, a medida foi recebida com cautela. O assessor especial da Presidência, Celso Amorim, e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, classificaram o recuo como positivo, mas destacaram que ainda há produtos brasileiros fortemente impactados pelo tarifaço.

No setor produtivo, a reação foi mais favorável. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) celebrou o anúncio e ressaltou a importância do mercado americano. “Os Estados Unidos são o segundo maior destino da carne bovina do Brasil. A decisão fortalece essa relação e abre espaço para uma retomada mais equilibrada e estável das vendas”, afirmou a entidade em nota.

Apesar do otimismo pontual, a avaliação geral é que o gesto da Casa Branca representa um movimento limitado. As negociações seguem em andamento, mas ainda não há indicação de que a tarifa adicional de 40% para produtos brasileiros esteja próxima de ser revista.

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